Editora Intrínseca

{Resenha} Extraordinário - R. J. Palacio

quinta-feira, abril 23, 2015

'Não julgue um livro menino pela capa cara.'



Nada como aproveitar o Dia Mundial do Livro para tirar as teias da categoria Resenhas aqui do blog, né?  E o livro de hoje é o fofo Extraordinário do R. J. Palacio.


''Se eu encontrasse uma lâmpada mágica e pudesse fazer um desejo, pediria para ter um rosto comum, em que ninguém nunca prestasse atenção'. Pág. 11


Palacio escreve a história de August, ou Auggie - como é chamado -, um garoto de dez anos que nasceu com uma síndrome genética que lhe deixou uma sequela grave: uma forte deformidade na face. Por isso Auggie nunca frequentou a escola e sempre teve pouquíssimos amigos. Mas agora, prestes a começar o quinto ano, ele quer começar a ir a escola como um garoto normal.


'Percebi que algumas crianças com certeza estavam me olhando. Então fiz o que sempre faço: fingi não notar.' Pág. 44


'Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho.' Pág. 11

'Evitavam esbarrar em mim a qualquer custo, dando a volta e pegando o caminho mais longo, como se eu tivesse algum germe que elas pudessem pegar; como se meu rosto fosse contagioso.' Pág. 68


A escola já não é um lugar fácil muitas vezes, convenhamos. E crianças tendem a ser malvadas, muitas vezes não propositalmente (algumas, sim, vamos combinar! haha), mas por serem mais sinceras, muitas vezes até inocentes, ignorantes das consequências de suas ações. Então no caso do Auggie, que tem um defeito físico que causa estranheza nas pessoas, a situação fica ainda mais difícil.


'Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil.' Pág. 55


Mas a questão principal que o livro aborda, ao meu ver, não é nem a "maldade" e inocência das crianças, e sim como muitos adultos, mesmo crescidos e maduros, também não sabem conviver com o diferente e acabam incentivando, mesmo que involuntariamente, esse tipo de preconceito. Claro que estou falando aqui de uma parcela de pessoas, e não de todo mundo. O livro mesmo mostra tanto as pessoas com preconceito como as sem, além das que muitas vezes não tem, mas se abala pelo julgamento do resto da sociedade. 


'Ele era tão bem-humorado com relação a ai mesmo. Essa era uma das coisas que eu mais gostava no Auggie.' Pág. 137



O ponto mais incrível, na minha opinião, é a gentileza. Das pessoas - algumas! - ao redor de Auggie e, principalmente, do próprio menino. É incrível como ele, tão novo, lida com as situações que passa e mostra a todos que ele só quer gentileza dos outros e nada mais.


'Depois que você vê alguém passando por isso, parece loucura reclamar por não ter ganhado o brinquedo que pediu ou porque sua mãe perdeu a peça da escola.' Pág. 89 - Via, irmã de Auggie.

'Algumas crianças realmente me perguntam por que eu ando tanto com 'o esquisito'. Esse pessoal nem o conhece direito. Se conhecesse, não o chamaria assim.' Pág. 127 - Summer, amiga de Auggie.



Adorei como o livro mostra também a visão de outros personagens sobre o menino e seus pensamentos - puros e 'impuros', afinal, também são humanos.


'Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por ai e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscaras.' Pág. 80


Adorei o livro e achei uma linda lição e lembrança de que precisamos ser menos egoístas, pensar mais no sentimento dos outros e ser mais gentis uns com os outros. Não custa nada 





A minha edição é com a capa nova - que eu achei linda. Apesar de ter poucos capítulos, o livro é de fácil leitura e tão envolvente que quando você vê, já acabou!



 Editora: Intrínseca   Páginas: 318  ● Nota: 4/5  Ano: 2013  ●   Skoob  





Quem também já leu?
O que acharam? :)



Colorín colorado este cuento se ha acabado.
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Cajita de Correo

Cajita de Correo #5

segunda-feira, abril 07, 2014



A demora para mais uma Cajita de Correo (a última foi em janeiro!) mostra como eu tenho sido uma pessoa controlada e comprado poucos livros! Palmas, por favor! hehe! Isso porque tenho uma pilha com mais de 30 livros não lidos. Então estou tentando diminui-lá. Tenhamos fé! :)

E agora vamos ao que interessa: os mais novos livros da minha pilha de não lidos. ♥

A menina que colecionava borboletas, da Bruna Vieira, comprei durante o lançamento do livro (em Fevereiro, se não me engano) aqui em Brasília e ganhei autógrafo da Bruna! Yey! ♥ Ainda não li nenhum livro dela, mas já tenho os outros dois aqui em casa e pretendo ler em breve!


A Estrela que Nunca Vai Se Apagar, de Esther Earl, conta a história da menina que inspirou o John Green a escrever A Culpa é das Estrelas. Quem vou chorar muito? (Aliás, li uma resenha dele feita pelo Gui Souza, no A Series of Serendipity, e já chorei!). Ganhei ele da minha cunhadinha fofa de aniversário. ♥


Como Eu Era Antes de Você, da Jojo Moyes, ganhei também de cumpleaños, só que da minha querida prima, Thaís. ♥ Eu dei esse livro para ela de Natal e ainda não tinha lido, mas li tantas resenhas e ouvi falar tão bem, que tinha certeza que ela ia adorar! E eu sempre quis ler. Não deu outra: ela amou e me deu de presente, porque ela disse que eu preciso ler e que vou amar! hihi! E ah, vocês sabem que vai virar filme, né?! Então tenho que correr para ler antes!


Os Contos da Seleção, de Kiera Cass, traz os contos gratuitos em e-book: O Príncipe e O Guarda, alguns bônus como entrevista com a autora e mais informações sobre os personagens e o melhor: os três primeiros capítulos de A Escolha, terceiro e último livro da série A Seleção, que será lançado daqui a um mês, dia 6 de maio! Só para constar: já estou devorando lendo A Seleção e já já tem resenha aqui! *__* Esse ganhei de aniversário da minha amiga linda Ju! ♥


A Galera Record fez uma promoção no site deles (sim, agora é possível comprar pelo próprio site da editora! Farei um post falando sobre a experiência de compra - que já adianto, foi ótima) com os dois primeiros livros de Hex Hall, por causa do lançamento do terceiro. Então os dois estavam pelo preço de um, R$35,00! Eu não podia deixar passar né?! Dei uma pesquisada sobre o livro e pareceu ser bem interessante! Ansiosa para ler estes também!




E aí, já leram algum desses?
O que acharam?



Colorín colorado este cuento se ha acabado.
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Editora Intrínseca

Resenha: A menina que roubava livros - Markus Zusak

quinta-feira, outubro 17, 2013

'Se quiser, venha comigo. Vou lhe contar uma história.' Pág. 19

Essa é uma daquelas resenhas que eu não quero contar nada, mas quero contar tudo, sabe?! haha!
A história se passa na Alemanha Nazista e é narrada pela Morte.



'É só uma pequena história, na verdade, sobre, entre outras coisas:
Uma menina
Algumas palavras
Um acordeonista
Uns alemães fanáticos
Um lutador judeu
E uma porção de roubos.' Pág. 11


Liesel foi separada da mãe e não tinha notícias do pai. Quando tinha, só ouvia falarem a palavra Comunista, que ela não fazia a menor ideia do que significava. Pelo menos seu irmão estava sendo levado junto com ela. Mas a tosse venceu o pequeno menino, que não sobreviveu a travessia de trem. E foi nesse dia que Liesel roubou seu primeiro livro.

'A menina que roubava livros tinha atacado pela primeira vez - o começo de uma carreira ilustre.' Pág. 30

'A questão é que o assunto do livro não tinha mesmo importância. O mais importante era o que ele significava.' Pág. 38

'Quando chegou a Molching, Liesel tinha ao menos uma vaga percepção de estar sendo salva, mas isso não servia de consolo. Se sua mãe a amava, porque deixá-la na porta de outra pessoa?' Pág. 32





Foi levada para Molching para viver com uma família alemã que não tinha muito dinheiro (não que sua mãe tivesse muito mais também). Foi difícil entender o porque e se adaptar a seus novos pais. Mas como não amar, Hans Hubermann?! Com seu acordeão, suas palavras gentis e paciência ao ensinar a menina que mal sabia ler. Até Rosa, que era bem mais durona, tinha um bom coração para aqueles que conseguiam ver.

'Ela não havia aprendido a falar muito bem, tampouco a ler, porque raras vezes frequentara a escola. A razão disso ela descobriria no devido tempo.' Pág. 24

'Ao ver aqueles olhos, Liesel compreendeu que Hans Hubermann tinha muito valor.' Pág. 34

'A menina não teria nenhuma dificuldade para chamá-lo de papai.' Pág. 35

'Quando Liesel finalmente tomou banho, depois de morar duas semanas na Rua Himmel, Rosa deu-lhe um enorme abraço, daquele de machucar.' Pág. 34

Lá conheceu também Rudy, um garoto da sua idade, que morava na mesma rua, e que, com o tempo, virou seu melhor amigo, um grande companheiro de roubos e o insistente que sempre que podia lhe pedia um beijo.

'Uma bolada de neve na cara é, com certeza, o começo perfeito de uma amizade duradoura.' Pág. 47

'A única coisa pior do que um menino que detesta a gente. Um menino que ama a gente.' Pág. 49


'Era impossível ficar zangada com ele por muito tempo.' Pág. 266






Liesel foi crescendo, aprendendo a ler e foi se apaixonando pelas palavras. Assim, começou a entender também o porque tivera que deixar sua família e o contexto histórico que estava vivendo.

'Dez anos significavam a Juventude Hitlerista [...] sendo menina, Liesel foi matriculada no que era chamado de BDM (liga das meninas alemãs)'. Pág. 40

'Em 1933,  noventa por cento dos alemães manisfestavam um apoio resoluto a Adolf Hitler. Isso deixa dez por cento que não o manifestavam. Hans Hubermann faz parte dos dez por cento. Havia uma razão para isso.' Pág. 58

'A palavra comunista + uma grande fogueira + uma coleção de cartas mortas + o sofrimento da mãe + a morte do irmão = o Führer.' Pág. 107


Assim como os pais adotivos, Liesel não era nada fã do Nazismo, mas precisava fingir apoio se quisesse continuar viva. No começo, foi bem fácil (afinal, ela não entendia muito bem mesmo). Mas, principalmente depois da chegada de Max em sua casa, um judeu que lutava para não cair nas garras dos nazistas, foi ficando cada vez mais difícil. Principalmente depois que os dois se uniram cada dia mais através da leitura.

'Porque você não deve querer ser como os negros, nem os judeus, nem qualquer um que ... que não seja nós.' Pág. 56

'Você poderia dizer que as coisas foram fáceis para Liesel Meminger. E foram mesmo, em comparação com Max Vanderburg. [...] mas qualquer coisa era melhor do que ser judeu.' Pág. 151

'Espere um minuto, ele era alemão. Ou melhor dizendo, tinha sido.' Pág. 148

'Imagine sorrir depois de levar um tapa na cara. Agora, imagine fazê-lo vinte e quatro horas por dia. Era essa a tarefa de esconder um judeu.' Pág. 196



A menina que roubava livros é encantador, triste e cativante. Adorei a história e acho que vale muito a pena sua leitura (ainda mais antes de ver o filme, que deve sair em fevereiro!). Não é uma leitura que flui rapidamente (comparando com os romances leves que estou acostumada a ler), mas também não chega a ser tão pesada (levando em conta o contexto histórico bem pesado que envolve, né). Mas os capítulos são bem curtinhos, o que torna um pouquinho mais rápida a leitura, e o livro é também separado em partes.




'[...]ela se perguntaria exatamente quando os livros e as palavras haviam começado a significar não apenas alguma coisa, mas tudo.' Pág. 31

'Até a morte tem coração.' Pág. 211


'Sim, o Führer decidiu que dominaria o mundo com palavras.' Pág. 398


'Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito.' Pág. 473



A Intrínseca fez um belo trabalho. Não só com a capa, que é linda, mas com o livro todo. Páginas amareladas, ótima diagramação e espaçamento e a fonte tem um tamanho razoavelmente bom, também.



♥ Editora: Intrínseca  Páginas: 494  Ano: 2007  ISBN: 9788598078175 ● Skoob 

Quem mais leu?
O que acharam? :)



Colorín colorado este cuento se ha acabado.
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Editora Intrínseca

Resenha: A culpa é das estrelas - John Green

quinta-feira, agosto 08, 2013


Hazel é uma paciente terminal e que tem plena consciência de que vai morrer. Apesar de testar vários medicamentos e andar por ai com um cilindro de oxigênio, ela sabe que essas são soluções que só podem prolongar um pouco mais sua vida.

Eu, particularmente, adorei a Hazel! Apesar de ter câncer e a certeza de que vai morrer, ela não é nem pessimista, do tipo parei de viver, nem a empolgada com a vida, que quer viver intensamente seus últimos dias. Ela simplesmente vive, com suas dificuldades, e tenta agradar seus pais enquanto ainda está por perto. Ela te um ar cômico também, o que ajudou a trazer uma certa leveza à história, que é bem profunda.

Seus pais, principalmente sua mãe, pararam um pouco suas vidas por causa da doença de Hazel. Mas tentam também fazer a filha viver um pouco mais a vida e aproveitar cada momento (como assistir America's Next Top Model, que o pai odeia) ao lado da filha. 

'Minha mãe era totalmente adepta da prática de maximizar as celebrações de datas comemorativas. HOJE É O DIA DA ÁRVORE! VAMOS ABRAÇAR ÁRVORES E COMER BOLO! COLOMBRO TROUXE VARÍOLA PARA OS NATIVOS DA AMÉRICA; PRECISAMOS FESTEJAR A DATA COM UM PIQUENIQUE!' Página 42.



E é nessa de satisfazer o desejo dos pais que Hazel continua indo ao Grupo de Apoio, um grupo 'rotativo' de crianças com câncer. E é la que ela conhece Augustus Waters, uma menino lindo, com uma perna 'falsa' que perdeu para o câncer, mas já 'curado', sem câncer (que foi ao grupo por pedido de seu amigo, Isaac, que tem a doença nos olhos).

'Na boa, vou logo dizendo: ele era um gato. Se um cara que não é gato encara você sem parar, isso é, na melhor das hipóteses, esquisito, e na pior, algum tipo de assedio. Mas se é um cara gato... Na boa...' Página 16.


O Augustus é muito divertido! Ele é destemido e sabe o charme que tem (mas não o achei metido, sabe?!). Ele já passou por muita coisa por causa do câncer (inclusive perder uma ex-namorada para a doença) e é muito legal como a relação dele com Hazel vai se construindo. E também deles com Issac, que para mim tem também um importante papel na história.

                'Nos dias mais sombrios, o Senhor coloca as melhores pessoas na sua vida.' Página 32.



É também pelo livro favorito de Hazel, 'Uma aflição imperial', que ela e Augustus se aproximam cada vez mais e, graças aos benefícios do câncer, eles viajam juntos para conhecer - e obter respostas - do autor do livro, que jamais respondeu às correspondências da menina.

A partir daí a história dá uma reviravolta e fica impossível largar o livro por um segundo sem sofrer querendo saber o que vai acontecer. E quando você acha que sabe o que vai vir, John Green vai lá e nos quebra a cara. 

'Esse é o problema da dor - o Augustus disse, e ai olhou para mim. - Ela precisa ser sentida.' Página 63.

Confesso que estava com um pouco de medo ao ler o livro, porque ouvi só comentários bons, então já fiquei naquela expectativa, que por mais que tentamos não ter, algumas vezes fica meio difícil, né?! Mas o John Green me conquistou com esse livro surpreendente, envolvente, real e que faz a gente pensar um pouquinho na vida também. Amei e não vejo a hora de ler outras obras dele!  

'Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo.' Página 283.



Achei a cada super lindinha, a diagramação e as margens ótimas, e ainda tem páginas amareladas, que dá um toque mais de livro, né?! 

Para as choronas de plantão (eu!), aconselho deixar uma caixinha de lenços por perto e evitar ler em público, porque olha... desidratei! :~ haha!

Editora: Intrínseca ~ Páginas: 286 ~ ISBN: 9788580572261 ~ Ano: 2012

Quem mais já leu?
O que acharam? :)

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